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25/03/2008 16:39
ARRUMA A CASA QUE VEM VISITA

Ditam os velhos costumes que quando vamos ter visita em casa, por alguns dias, devemos correr para arrumá-la. Quartos, salas, cozinhas e banheiros não escapam da preocupação em estarem adequados para impressionar e manter nossos hóspedes satisfeitos. Até aquele quartinho da bagunça fica com ares de cômodo de primeira linha. Afinal, a nossa imagem está em jogo e o retorno deles na próxima ocasião ainda nos dá a oportunidade de ganhar a briga com os parentes e amigos, verdadeiros concorrentes, pela estadia dos visitantes.
Mas o Brasil parece não ter aprendido com a população essa prática tão simples e tão eficaz no que se refere a ser hospitaleiro. Promove-se um esforço enorme para atrair turistas estrangeiros para o país, aliás um trabalho impecável e de extremo profissionalismo, mas não se dá a devida importância às condições internas para recebê-los, nesse caso um descuido que beira o amadorismo. A infra-estrutura turística é sofrível, a começar pelas estradas que em sua maioria estão em condições péssimas ou ruins conforme se pode atestar no site www.estradas.com.br . Ainda no item transportes, as condições dos aeroportos são de extrema gravidade. Em Congonhas tudo vai bem, mas o perigo é iminente. Em Guarulhos, onde está a tão prometida ampliação? E a capacidade dos aeroportos para o crescente aumento de turistas previstos está compatível com os projetos em andamento?
Percorrendo as cidades, onde está a sinalização turística? É tão pouca e ineficaz que pode se dizer inexistente. A segurança, ou a falta dela, é fator de risco para os nossos desejos de incrementar o turismo receptivo. Proteger, pelo menos nossos visitantes, deveria estar presente na política nacional para o turismo. Por falar nisso, talvez os nossos turistas precisem de equipamento médico-hospitalar. Esse item também não resiste a uma avaliação por mais superficial que se faça. Não precisamos nem falar do saneamento. Quando chove fica evidente nossas deficiências e tudo vai por água abaixo. E vem a febre, a dengue e outras doenças que sangram os propósitos de se acolher um crescente número de viajantes, ávidos por qualidade no lazer.
A infra-estrutura, juntamente com os atrativos, equipamentos e serviços turísticos, constitui a oferta turística que, como qualquer produto, tem que satisfazer as necessidades dos clientes, sob pena de perdermos para outros destinos concorrentes e ainda sermos alvos de informações negativas por parte daqueles eventualmente (ou quase sempre) insatisfeitos.
Esse cenário, digno de atenção especial das autoridades governamentais, nos faz entender por que o Brasil, de dimensões continentais e atrativos exuberantes, está muito aquém em número de turistas, comparado aos países que arrumaram a casa para receber os visitantes. Por outro lado, essa preocupação com a hospitalidade talvez também explique por que a maior parte dos turistas, segundo dados do Ministério do Turismo, prefere a casa de amigos ou parentes.
enviada por Jorge Machado
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